A vida curta de Dylan Thomas foi um mar voraz, indomável como as ondas de sua terra natal: País de Gales. Para ele não havia limite. Tudo o que fazia era assinalado por forte luminosidade, mas revelava também carência, autodestruição e um indisfarçável egoísmo. De certa maneira, fazia barulho para chamar a atenção. Gostava de ser visto como um enfant terrible e para imprimir mai veracidade a esta imagem, o poeta vivia rapidamente, aliciado por seus próprios excessos. Isto, no fundo, o divertia.

Aos 11 anos já tinha escrito mais de duzentos poemas. Muito jovem dirigiu o jornal da escola, trabalhou como repórter em Swansea, abrindo logo caminho na BBC de Londres. Era um obssessivo. com a mesma intensidade, produzia e desperdiçava tempo. Refugiava-se nos pubs, consumindo sem medir energia, talento e saúde.

Escreveu roteiros para cinema, fez documentários, participou de movimentos, sinalizou, com seu comportamento, a emergente geração beat. Nos anos de 1950 era uma celebridade. Tinha prazer em ler seus versos em público, sua voz seduzia milhares de ouvintes, atraia novos admiradores; sua irreverência impressionava uma América atônita, em via de transformação.

Dylan Thomas era profundo, um solitário. Como escritor dedicou-se às palavras e compulsivamente, desejava penetrar na alma de todas as letras. Era um apaixonado pela sonoridade e, com estilo incrivelmente pessoal, soube construir uma obra - pequena, é verdade - com nome e sobrenome. O vigor de suas imagens e o ritmo de sua escrita são marcas registradas.

Aos 39 anos, desgastado fisicamente, saboreando a fama e o reconhecimento sem um tostão no bolso, Dylan enefrentava com muitas dificuldades o cotidiano. Em novembro de 1953, o poeta foi longe demais com a bebeida: apósmuitas doses, não resistiu a uma hemorragia cerebral no St. Vicente Hospital, poucas quadras do Chelsea Hotel, sua "casa" em Nova York. O escritor acabou vencido pela boemia, pela ansiedade um tanto juvenil, pela vida nômade e, tragicamente, pelo álcool. Mas deixou um legado indiscutível. Talento do mais puro malte.

Por trás da neblina de suas frases e versos, indiferentes às normas, habita um autor maduro, vivo, do primeiro time da literatura mundial.

 

texto de Maria Amélia Mello, para o livro
Dylan Thomas / Poemas Reunidos (1934/1953),
pela José Olympo Editora com tradução de
Ivan Junqueira.

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O Poema

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