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Texto
de Abertura
Tu escreves um livro com tinta invisível. Por que fazes
isso?
Nós somos homens invisíveis
Depois de nascidos, visíveis.
Entre o início visível e o invisível final, nós somos os
homens visíveis.
Aproveitemos para ver-nos
E
então ir escrevendo outros livros,
nestes jardins, todas essas asas,
para que um livro vá se fazendo.
Mas não em si.
Dele não se verá nem sombra das palavras no papel.
Viagem a Andara.
O não-livro. Não existe, não existe
Literatura fantasma.
Não foi escrito.
Enquanto texto, tudo o que teremos dele é um título
E
a pergunta seguinte é:
E o que são livros, os livros que se escreve
Livros de Andara.
Livros-miragens. Pois uma vez escrita, da vida só resta
a alucinação literária
Situação
dos livros de Andara: condenados à visibilidade para que
Viagem a Andara, o livro invisível possa existir como pura
ilusão.
Andara,
a viagem ela mesma, nunca será escrita diretamente.
E
ela está começando assim
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